segunda-feira, 28 de março de 2016

Huis Clos: o inferno são os outros!

Há 3 anos, falecia Clô Orozco (Huis Clos), quando fizemos uma homenagem no então Moda de Brechó, publicando uma crônica muito boa da Gloria Kalil. No texto, que pode ser lido aqui, ela conta que a estilista estava com depressão, que a marca não ia bem nos negócios e lembrava que os antigos e bons vem sendo substituídos pelos grandes conglomerados, mas que isso é assunto de bastidores e não lhe é dada a merecida atenção. Também que aqueles que normalmente desistem, precisam manter a pose e um sorrisinho no rosto pra se manter no meio. Santa crítica! São as dicotomias do maravilhoso e inspirador, mas tantas vezes também triste e desolador mundo da moda.

Poucos jornalistas podem chegar no auge de suas carreiras e, mesmo fazendo parte desse meio tão hipócrita tantas vezes (como são tantos outros, política, música, cinema...) poder criticá-lo com tanta finesse. Gloria pode e sabe fazer.

 

Clô nasceu Clotilde Maria Orozco de Garcia e criou a Huis Clos (Entre quatro paredes, em português) em 1977, depois de cursar sociologia e política. A marca foi batizada em referência à peça homônima do filósofo francês Jean Paul Sartre, escrita em 1944. Marcada pelo existencialismo do autor, é conhecida pela frase "O inferno são os outros", dita pelo personagem Garcin.

Passados 3 anos, a marca Huis Clos foi mantida, segue desfilando na SPFW e com criações que mantém o DNA trazido por Clô, de um minimalismo revigorante, tecidos bons, modelagem criativa, ora arquitetônica, cores que parecem abraçar o corpo. Quem deu segmento inicialmente foi sua assistente Manuela Rodrigues, mas quem assumiu em 2015 como diretora criativa foi Paula Marques, que já havia trabalhado com Clô nos anos 90.

Uma marca que segue sua trajetória de elegância e atemporalidade. Sempre fico feliz quando garimpo algo dela pro brechó. No momento, tenho uma T-shirt anos 90 no meu armário e um terninho disponível na loja <3 Vida longa a marcas como Huis Clos! E mais análise e crítica à moda brasileira também.


Um comentário:

  1. Ótimo texto, interessante saber a origem da marcar, ainda mais tendo uma referência tão rica assim.

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muito obrigada por seu interesse e leitura :)