segunda-feira, 28 de março de 2016

Loja NG: kitsch nos detalhes

Alguns amigos de longe cobram fotinhos internas da loja, mas como estamos sempre em movimento, inclusive modificando coisas, fomos deixando pra depois e depois, mas já passaram 7 (sete!!!) meses desde a inauguração, bastante coisa já mudou internamente, mas chegou a hora de mostrar ao menos um pouco do que temos fotografado :)

A placa da rua, com madeira reaproveitada e pintada de laranja, foi um trabalho à parte, com recorte do logo numa chapa de raio-x e posterior stencil com apoio de tinta preta e rolinho. Afixamos na frente com um L com arabescos, que já tinha sido da Loja À Moda Antiga, que tive com a Aline Romero, em São Leopoldo. A casa é antiguinha, fachada pequena e ainda não recebeu nova pintura (em breve, novidades <3), mas apesar disso, dentro todos se surpreendem com o tamanho. Temos duas amplas salas do brechó, uma com o setor 10 cada e outra de vintage, retrô e marcas.

 

Quando pensei em abrir, a primeira ideia foi aproveitar grande parte da decoração que já mantinha em casa, causando certa "poluição visual" :) Isso porque gosto muito de cores, objetos antigos, quadrinhos/fotografias, tudo formando uma estética bastante kitsch (brega). Essa foi a base do que construímos a 4 mãos em praticamente 1 mês de trabalho até a abertura, que foi em outubro de 2015.

 
Quadrinho com desenho do tio Gil Jacobus + espelhinho acervo + chapéus acervo.
 O "Conhece-te a ti mesmo", de Sócrates, tem tudo a ver TAMBÉM com estilo!

Temos araras usadas e repintadas; várias malas vintage no corredor de entrada, escrivaninha vintage pintada de vermelho e transformada em balcão de atendimento. Ah, tem também um piano de 1903!, que compramos da amiga peregrina e superbatalhadora Antônia Risolet, e que ajuda no apoio de calçados e decoração que vai sempre mudando:



A poltrona pé palito original 60's foi presente da mãe e combinou com algumas paredes também azuis. O som 2 em 1 era de família e já tocou vários vinis durante o expediente. Agora na verdade recebeu férias, porque sendo com caixa original de madeira, estava com cupim, que está sendo tratado.

 



O lustre setentão, produzido com linhas em tons terrosos, que na verdade era um abajur, foi garimpado já aqui em Pelotas, no sebo-loja mara Jacob Grinberg Livros raros e Antiguidades, ali da Anchieta, na última hora!

 

Pouco antes do ano novo de 2016, a amiga e cenógrafa Lara Coletti fez uma visita e resolveu deixar sua marca. Fez um desenho no provador, que fala de natureza e seus 4 elementos: fogo, terra, água e ar. Amamos! O Gio (Corrêa) também andou soltando a imaginação e recriando um Mondrian num dos bustos antiguinhos que ganhamos de presente do Brechó da Tia Mariza <3


 


A seguir, mais alguns detalhes :)

 Brinquedos garimpados e a Frida da CCA Artesanatos, que sou fã.
Cabides antigos e diferentes decoram a basculante.

 Alguns desenhos infantis da Nina Paz Garcez Corrêa decora o setor de vintage <3

 Plaquinha artesanal "Garimpar é arte" junto a peças masculinas e o expositor de óculos com telinha reaproveitada


Tudo simples, mas feito com muito carinho.

Venha nos visitar e conferir isso e ainda mais de pertinho!

Rua Gonçalves Chaves, 322.
Centro.
Quase esquina Universidade Católica.
Pelotas - RS - Brasil.

Huis Clos: o inferno são os outros!

Há 3 anos, falecia Clô Orozco (Huis Clos), quando fizemos uma homenagem no então Moda de Brechó, publicando uma crônica muito boa da Gloria Kalil. No texto, que pode ser lido aqui, ela conta que a estilista estava com depressão, que a marca não ia bem nos negócios e lembrava que os antigos e bons vem sendo substituídos pelos grandes conglomerados, mas que isso é assunto de bastidores e não lhe é dada a merecida atenção. Também que aqueles que normalmente desistem, precisam manter a pose e um sorrisinho no rosto pra se manter no meio. Santa crítica! São as dicotomias do maravilhoso e inspirador, mas tantas vezes também triste e desolador mundo da moda.

Poucos jornalistas podem chegar no auge de suas carreiras e, mesmo fazendo parte desse meio tão hipócrita tantas vezes (como são tantos outros, política, música, cinema...) poder criticá-lo com tanta finesse. Gloria pode e sabe fazer.

 

Clô nasceu Clotilde Maria Orozco de Garcia e criou a Huis Clos (Entre quatro paredes, em português) em 1977, depois de cursar sociologia e política. A marca foi batizada em referência à peça homônima do filósofo francês Jean Paul Sartre, escrita em 1944. Marcada pelo existencialismo do autor, é conhecida pela frase "O inferno são os outros", dita pelo personagem Garcin.

Passados 3 anos, a marca Huis Clos foi mantida, segue desfilando na SPFW e com criações que mantém o DNA trazido por Clô, de um minimalismo revigorante, tecidos bons, modelagem criativa, ora arquitetônica, cores que parecem abraçar o corpo. Quem deu segmento inicialmente foi sua assistente Manuela Rodrigues, mas quem assumiu em 2015 como diretora criativa foi Paula Marques, que já havia trabalhado com Clô nos anos 90.

Uma marca que segue sua trajetória de elegância e atemporalidade. Sempre fico feliz quando garimpo algo dela pro brechó. No momento, tenho uma T-shirt anos 90 no meu armário e um terninho disponível na loja <3 Vida longa a marcas como Huis Clos! E mais análise e crítica à moda brasileira também.


quarta-feira, 23 de março de 2016

Memórias da saia da tia Ina, no "A Roupa que fala"


As roupas têm histórias, elas falam. Recebi e amei o convite da página A roupa que fala pra contar o sentimento pelas minhas roupas, em especial algo afetuoso de família. Vida longa ao teu projeto, Mariane, e a todxs que inspiram o vestir de outra maneira <3 Basta clicar na foto para ler lá e já acompanhar outras histórias, ou mesmo propor a sua!

Foto: Gio Corrêa

segunda-feira, 21 de março de 2016

Refletindo com a filósofa Marcia Tiburi

A reitoria da Ufpel (Universidade Federal de Pelotas) acertou em cheio ao convidar a filósofa Marcia Tiburi para palestrar na Calourada 2016/1. Bem humorada e pensante, pulsante, ela fez uma série de conceitualizações e reflexões acerta de política, feminismo e ética, costurando esses temas, citando autores e também alguns fatos curiosos de sua vida pessoal e profissional, como uma recente demissão de uma Universidade devido sua opinião sobre o aborto, fato que lhe dá muito orgulho e prendeu a atenção de centenas de estudantes, que lotaram duas salas para acompanhá-la.


Senti como um alerta sobre o uso das políticas, dos poderes, em benefício das hipocrisias, do mal, afinal, a gente pode fazer boa política em tudo que fazemos, na vida cotidiana. Com isso e unindo ao assunto feminismo/gênero, aceitar o outro, o que o outro é. Respeito e ética não é algo que se possui ou não, mas algo que precisa e deveria ser inerente. Claro, uma interpretação minha para sua interessante forma de trazer essas ideias sem caráter de convencimento. Mostra apenas que algumas "coisas" não são questão de opinião pessoal, mas de conceito. Fiquei pensando se os filósofos estão ganhando voz na mídia atualmente, por exemplo, para fazer essa rica reflexão.

Fascismo, por exemplo, é o conceito daquele ser que só produz e consome, mas não pensa mais e por isso não aceita o outro, suas diferenças, e desconhecendo o significado de respeito, discrimina, rechaça, fere, desfere ódio. Autora do livro "Como conversar com um fascista", segundo ela, motivada por ter nascido em Vacaria - RS, região com etnocentrismo forte, e inclusive triste por ter que escrever sobre essa relação com pessoas queridas e próximas.

O feminismo foi mais conceitualizado, já que mesmo em voga, muitas vezes é distorcido. Simone de Beauvoir e seu livro "O segundo sexo" são altamente sugeridos. "Lá em casa, fica do lado da Bíblia e de O capital, de Marx", brinca, levando todxs a risadas.

O tema ambientalismo também esteve presente, quando ela lembrou sobre a invasão do plástico em nossas vidas: dos remédios aos cosméticos, dos rios tomados por ele ao copo e garrafa servida na mesa da sua frente. Do capitalismo como um sistema extra político que passou a gerir muitas outras coisas, como nosso próprio corpo.

São 3 as perguntas que Marcia deixa como reflexão final e que, segundo ela, se as pessoas exercitassem mais, muitas coisas ruins que fizemos contra os outros e contra a gente mesmo, já que temos esquecido a importância de nossa subjetividade, mudaria:

como me torno quem sou?
o que estamos fazendo uns aos outros?
como viver junto?

Hoje à tarde, por acaso, caiu nas minhas mãos o livro "Nietzsche para estressados", de Allan Percy. E numa das passagens fala justamente sobre nos deixarmos aproveitar da solitude, do vazio criativo, da reflexão. Tenho visto pessoas falarem sobre o boom de informação, sobre o tédio que não sabemos mais aproveitar, sobre o tempo das filas que não mais existem, pois temos um celular nas mãos, sobre o tempo gasto rolando as timelines... Acredito que Marcia e todas essas outras pessoas falam de intervalo, pausa, tempo de reflexão antes de se agir, falar e inclusive apertar em... publicar... publiquei!

sexta-feira, 11 de março de 2016

IHU promove "O cuidado de nossa casa comum"


Já começou na quinta, 10/03, mas tem atividades marcadas até 03/05, é gratuito e com dezenas de falas interessantes sobre ética ambiental, clima, latino américa e outros. O evento " O Cuidado de nossa casa comum" é promovido pelo IHU (Instituto Humanitas) Unisinos e eu adoraria ainda morar pertinho para poder participar de algumas falas. Faço essa divulgação para quem sabe chegar a mais alguns interessados, afinal, a casa é de todos nós <3

Programação e inscrição (apenas caso deseje certificado) aqui:

http://ihu.unisinos.br/eventos/agenda/657-ciclo-de-atividades-o-cuidado-de-nossa-casa-comum

terça-feira, 1 de março de 2016

Pão caseiro frutas e mel

Ontem criei uma receitinha de pão por acaso e que deu bem certo, ficou muito saboroso! Apesar dos
ingredientes doces, um doce na medida, bem leve. Ideal para quem gosta de misturar com salgado, tipo requeijão ou só uma manteiga mesmo. Compartilho aqui caso alguém se interesse em tentar.

Lembrando que uma coisa eu vou chamar de base, a qual você pode sempre usar e modificar apenas os demais temperos, inclusive fazendo pães salgados, com várias ervas, que outra hora vou publicar também
: )

Ah, como tenho panificadora, coloco todos ingredientes ali e programo o menor tempo do pão básico 3h. Após bater, crescer e assar, tá prontinho, cheirinho pela casa coisa e tal! Mas você pode amassar também a mão e cuidar um ponto mais durinho, que não grude em suas mãos e nem na bancada. Segue:

BASE
250ml de leite (nessa receita, porque em demais, o mesmo de água quente)
1 colher sopa e meia de fermento para pão
2 colheres de sopa de óleo
3 copinhos de 250ml de farinha


RECHEIO
2 colheres sopa de mel
4 colheres sopa de gergelim
100g frutas cristalizadas

JUNTE TUDO 
na mesma vasilha e amasse a mão ou coloque na sua panificadora + 3h, modo casca escura ^^ Torço que dê certo na primeira, mas se não der, não se chateie e tente de novo, e de novo, e mude ingredientes, e crie o teu pão também! Foi assim que depois de muitosss pães eu fiz o primeiro que julgaram gourmet, haha, palavras do mon amour que a cada mordida era um hmmmmm. Resultado. Comemos 1 pão em 1 dia e outro está em processo nesse momento em que escrevo. Faça-você- mesmo <3