indústria da moda sustentável, ativistas, imprensa e acadêmicos que se uniram depois do desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, no dia 24 de abril de 2013, deixando mais de 1.133 mortos e 2.500 feridos. Lá trabalhadores terceirizados de grandes marcas conhecidas tinham um regime de trabalho nada humano, sem segurança e salários sempre muito baixos. Perdiam acesso à vida dia a dia, até não tê-la por completo. O barato que se compra no Ocidente e que sai muito caro para vidas do outro lado do mundo.
Assim sendo, esse manifesto nos convida à reflexão sobre quem fez nossas roupas, sobre buscarmos uma moda mais limpa, justa (fair trade) e inclusiva. Mas como fazer nossa parte? Podemos consumir de marcas e redes verificadas (o aplicativo Moda Livre nos ajuda nisso!), de novos estilistas adequados a esse pensamento, empreendimentos locais, artistas, brechós e porque não também costurando ou customizando as roupas que já temos.
Não é uma mudança fácil. Atuando por 10 anos no jornalismo de moda tradicional, 2002-2012, mesmo já perseguindo
um estilo próprio, vira e mexe eu adentrava nas grandes magazines
buscando pechinchas e tendências fast fashion. Algumas revistas que
comprava na época, sites e até meu trabalho me levava a isso. Um tanto
de massificação, roupas iguais criadas em série, muito baratas sugerindo grande vantagem, mas sem importar a procedência. Fui me informando
sobre o tema - o livro "Eco Chic: o guia da moda ética para a consumidora consciente", da Matilda Lee, deu esse start que precisava para ir criando essa conscientização e buscando dia a dia um novo estilo de vida, desde as roupas que visto até os trabalhos que escolhi ter (Nina Garimpa, Mercado Vintage e Mercado Alternativo).
Já são alguns anos nessa contramão nada fácil. As imagens e desejos estão sempre pulando na nossa frente. Escolhi dar as costas para algumas lojas e simplesmente não ir a shoppings. O de Pelotas, construído longe do Centro para quem mora nas proximidades ou tem carro, ainda nem conhecemos. Não frequentar também me é forma de protesto sobre o quanto as coisas são mostradas glamourizadas perto de como elas realmente são. E disso eu sei um bocado, pois frequentei das principais semanas de moda brasileiras ao chão de várias fábricas.
Claro que como jornalista, crítica e amante da moda não fecho os olhos pro lado lúdico e bonito da moda, sigo admirando algumas grifes (Chanel, Balenciaga, Stella Mccartney...) as quais dificilmente um dia terei acesso (dicotomias, pois é!), e assistindo os desfiles inspiradores de criadores como Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch e Gloria Coelho ou de marcas como Osklen, Alessa, Ellus, Huis Clos, entre outras. Vários desses inclusive que fazem sua parte para a revolução na moda, usando matérias-primas e mão-de-obra brasileira, por exemplo!
Acredito que a gente consegue tudo que quer e acredita: podemos nos vestir bem, cada um dentro do seu estilo, proporcionar renda a pequenos empreendedores e até gastarmos menos nesse outro formato! Se queremos uma política ética, ela também deve estar na moda que vestimos. Deixo essa reflexão, inspiração e mensagem: Outra moda é possível!
Na foto, eu uso:
-Vestido 90s garimpado em Pelotas por 10,00;
-Botinas artesanais garimpadas em São Leopoldo por 25,00;
-Colete 70s garimpado em Porto Alegre por 5,00;
-Chapéu coco feito pelo chapeleiro francês Maurice Plas, com atelier na Rua Augusta, em São Paulo. Valor a consultar.
Fotos: Gio Corrêa <3


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muito obrigada por seu interesse e leitura :)