segunda-feira, 8 de junho de 2015

Edgar Mai: biólogo do Jardim Lutzemberger e Sapato Florido

Por Aline Ebert


Em decorrência do Dia Mundial do Meio Ambiente, entrevistei uma pessoa admirável por seu trabalho como biólogo e paisagista no lindo e inspirador Jardim Lutzenberger da Casa de Cultura Mario Quintana! Edgar Mai nos conta ainda sobre sua experiência com o projeto Sapato Florido, que reaproveita calçados que viram estilosos vasos para jardim :)

Nina Garimpa - Desde quando você cuida do Jardim Lutzenberger e quais as espécies em destaque?
Edgar Mai - Há alguns anos eu faço a manutenção do Jardim Lutzenberger, que é da Fundação Gaia e acolhido pela CCMQ. O jardim é composto por diversas pequenas coleções de vegetais e assim são agrupados. Por ser inspirado no ambientalista José Lutzenberger, privilegia a diversidade num pequeno espaço. Tudo é importante, mas eu destacaria o recanto evolutivo, com plantas que representam o período importante na história da vida na Terra, sendo algumas consideradas fósseis vivos, como o ginkgo, a cavalinha, a azola e as cicas.  O jardim é um espaço orgânico, pulsante e sensibiliza os visitantes para os mais diversos aspectos da natureza. Sempre foi um espaço muito querido e valorizado pelos visitantes, colaboradores e dirigentes deste centro cultural. Tanto é que, tempos depois, a CCMQ optou por ampliar o paisagismo, criando outros jardins:  o terraço do 7º andar e o Sapato Florido, do outro lado do 5º andar.



NG - Como surgiu a ideia do projeto Sapato Florido?
EM - Eu sempre achei o título do livro 'Sapato Florido', escrito em 1948 pelo Mario Quintana, um nome pronto para um jardim. Como a CCMQ tem, desde a sua inauguração, um espaço infantojuvenil  com esta denominação, eu sugeri a criação de um espaço onde o paisagismo fosse acolhido em 'floreiras sapatos', que seriam calçados descartados como resíduos. Inicialmente, há dois anos, no entanto, os gestores da oficina e direção da Casa optou por convidar artistas ceramistas para criarem floreiras 'calçados', inspirados na obra homônima do poeta. Recebeu-se cerca de 50 peças,  que transformara-se com suas plantas e foram inseridas com outras folhagens. No mesmo ano, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, eu resgatei a ideia original e sugeri uma diversificação dos suportes para os vegetais: calçados que iriam para o lixo. Fez-se uma campanha onde recebeu-se inúmeros exemplares para um jardim que durasse um dia, na Travessa dos Cataventos, chamado afetivamente de 'Jardim do Reaproveitamento'. A motivação seria levar o tema 'educação ambiental' aos frequentadores e escolas visitantes. No dia seguinte à data comemorativa, os 'calçados sustentáveis' foram incorporados pelo Jardim Sapato Florido. Um ano depois, ainda ampliando o tema 'reaproveitamento criativo', foi elaborado floreiras com diferentes suportes, todos resíduos: aquecedor de ambiente, chuveiro, cuias, cascas de ovos, bules, jarra de liquidificador, chapéu, funil, luminária...  



NG - Como está o projeto nesse momento?
EM - O Jardim Sapato Florido tornou-se um espaço permanente. Tem características muito particulares: é inesperado, original, delicado, humorado, educativo, lúdico, significativo e definido pelos visitantes como 'sui generis'. Estimula a imaginação das crianças e os adultos refletem questões relacionadas à educação ambiental: consumo consciente, geração de resíduos, descartes, recursos naturais, reciclagem, reaproveitamento... Há casos de turmas de estudantes que vêm com suas escolas, adotam a ideia e criam seus próprios jardins no ambiente escolar.



NG - O tema do Dia Mundial do Meio Ambiente esse ano é “Sete bilhões de sonhos. Um planeta. Consuma com cuidado”. Como você sugere que cada pessoa faça sua parte e diferença ao nosso planeta?
EM - É importante enfatizar que o planeta está esgotando os seus recursos naturais. A preocupação com a sustentabilidade deve ser constante: temos que consumir para suprir nossas necessidades básicas, preservando o planeta para as gerações futuras. Colabora-se com o meio ambiente quando se vive em harmonia com a natureza, prioriza-se o consumo consciente, separa-se e destina-se corretamente os resíduos. Além disso, racionalizar o gasto de água e energia elétrica, também priorizando o transporte coletivo. Os três R's da educação ambiental, 'Reciclar Reaproveitar Reduzir', devem ser ações incorporadas ao nosso cotidiano. Reduzir o consumo e diminuir a geração de resíduos. É importante aumentar o tempo de uso e criar ciclos para as coisas.

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