sábado, 28 de maio de 2016

Escola ocupada Dom João Braga debate consumo consciente

Com muito esforço familiar, sempre estudei em escola particular. Tive colegas muito queridos comigo, mesmo com muito mais poder aquisitivo, alguns amigos até hoje. Recebemos exímia educação, passamos no vestibular e fizemos faculdades, entramos no "maravilhoso mundo do mercado de trabalho" (eu fugi dele, mas isso já seria outra história...), nos tornamos ótimos profissionais, mas sinto que falta algo mais... humano, social no ensino tradicional! 





Na sexta, 27 de maio, levantei cedo e fui dar aula voluntária de consumo consciente pra uma turma de uns 15 alunos que estão ocupando a escola Dom João Braga, no Centro de Pelotas (RS). Uns ainda dobravam os cobertores e outros serviam o café quando cheguei. Outra se apressava pra varrer o palco onde eu sentaria. 16, 17, 18, 19, 20 anos... Alunos de primeiro, segundo, terceiro anos e Eja que, apoiando essa greve em nome da educação estadual e brasileira estão tendo e nos dando uma das maiores lições de suas vidas. Fui para falar sobre um dos atos políticos que a gente pode ter frente nessa vida, no caso frente ao comércio, para pessoas que, mesmo tão jovens, já estavam fazendo muita política naquela atitude em estar ali reivindicando... melhor ensino!

Fui recebida de maneira tão gentil e a forma unida que atuam me emocionou em vários momentos. Um viva aos jovens que através de uma educação mais libertadora podem acrescentar mais não só nas suas próprias vidas mas na de toda sociedade. Um orgulho também aprender tanto com eles!







terça-feira, 17 de maio de 2016

Moda Insights 2016 aborda consumismo

Desde 2005, a Feevale, em Novo Hamburgo (RS), organiza o Moda Insights pra estreitar os laços entre comunidade e academia. Para edição de 2016, que rola nos dias 23 e 24 de maio, colaborativismo, processos justos, novos hábitos de compra e slowstyle estão entre os temas pra falar sobre consumismo.

Essa pintura muito criativa e semiótica de autor desconhecido remete ao fato de que o ser humano teria evoluído para a massificação e inclusive descaracterização do seu ser, virando um mero número, aqui representado por um código de barras bem comercial.


Em janeiro de 2014, tive o prazer de ministrar, nessa mesma Universidade, o curso de extensão "Vintage: memória, estilo e sustentabilidade", que já naquela ocasião reuniu dezenas de alunos de Moda e vários outros cursos interessados pelo tema urgente na sociedade. Trabalhamos, durante 4 aulas, o contexto vivido e as formas que cada um pode ter para atuar nessa mudança.

Entre os textos encontrados enquanto selecionava a imagem utilizada destaque para um, do site Outras palavras, que trata da dimensão psicológica do consumismo: 
http://outraspalavras.net/posts/consumismo-de-final-de-ano-a-dimensao-psicologica/

É muito importante que universidades, que estão formando novos profissionais justamente para "ocupar o mercado", tragam esses assuntos para a roda sem medo de perder ibope, sabendo que o futuro do planeta todo depende dessa nova mentalidade. A seguir, a programação e mais infos sobre inscrição aqui: http://www.feevale.br/ensino/cursos-e-eventos/modainsights/programacao

Programação

Dia 23 de Maio 

  • 9h às 22h - Arte & Moda 
  • 18h30min às 19h30min - Credenciamento
  • 19h30min às 19h45min - Abertura
  • 19h45min às 22h15min - Mesa redonda com Fashion Revolution, NUZ Demi Couture e Projeto Gaveta, com mediação de Cacá Camargo

Dia 24 de Maio

  • 9h às 22h - Arte & Moda  
  • 18h30min às 19h30min - Credenciamento
  • 19h30min às 22h - Mesa redonda com Flávia Aranha, EcoTece e ADA, com mediação de Dallen Cardoso


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Élin Godóis pinta fachada nesse sábado, 30!

Sensível e talentosa desenhista, Élin Godois não pensou duas vezes pra marcar sua vinda a Pelotas para decorar a fachada do brechó Nina Garimpa quando soube desse nosso desejo. Mesmo atualmente com agenda preenchida por trabalhos com o escritório coletivo FLAMINGOwtf e também suas atividades extras, fez questão dessa viagem de trabalho, mas também de descanso e inspiração na cidade histórica de Satolep :)



Esse carinho e reciprocidade rola desde meados de 2013, quando nos conhecemos através de uma amiga em comum e logo nos unimos para organizar o Piquenique do Amor de Porto Alegre. Já entusiastas do faça-você-mesmo (ela com um projeto de cartas e eu com os zines), a amizade só foi sedimentando.

 

Élin se formou em moda, trabalhou com conteúdo e produção, mas hoje se encontrou nas artes. Já criou e desenhou coleções de postais, imãs, almofagatos, porcelanas e até delicados ovinhos de páscoa, como era feito antigamente. Idealizou inúmeras identidades visuais para projetos/marcas e mais recentemente coloriu paredes de loja, escritório e café da capital gaúcha e também em outras cidades do Brasil. Ah, ela também tem desenhado histórias de casais sob encomenda <3 Tá sempre inventando uma nova moda!


 
  
   



Apaixonada, intensa e apaixonante, tem um traço delicado, romântico e contemporâneo, que casa muito com o amor que dedicamos para montar e manter esse empreendimento.
Vem só coisa boa por aí!

O quê? Pintura da fachada por Élin Godois + novidades de inverno nas araras!
Chazinho oferta da casa pra aquecer corações e tacinhas de vinho da Colônia precinho módico.
Quando? 30 de abril, sábado.
Horário? A partir das 14h.
Onde? Nina Garimpa. Rua Gonçalves Chaves, 322. Pelotas (RS).


Vejam mais algumas imagens do trabalho da Élin <3








 Fotos: www.facebook.com/elingodois.cc

domingo, 24 de abril de 2016

Como fazer parte da revolução da moda

Hoje se celebra o Fashion Revolution, movimento criado por um conselho global de líderes da
indústria da moda sustentável, ativistas, imprensa e acadêmicos que se uniram depois do desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, no dia 24 de abril de 2013, deixando mais de 1.133 mortos e 2.500 feridos. Lá trabalhadores terceirizados de grandes marcas conhecidas tinham um regime de trabalho nada humano, sem segurança e salários sempre muito baixos. Perdiam acesso à vida dia a dia, até não tê-la por completo. O barato que se compra no Ocidente e que sai muito caro para vidas do outro lado do mundo.


Assim sendo, esse manifesto nos convida à reflexão sobre quem fez nossas roupas, sobre buscarmos uma moda mais limpa, justa (fair trade) e inclusiva. Mas como fazer nossa parte? Podemos consumir de marcas e redes verificadas (o aplicativo Moda Livre nos ajuda nisso!), de novos estilistas adequados a esse pensamento, empreendimentos locais, artistas, brechós e porque não também costurando ou customizando as roupas que já temos.



Não é uma mudança fácil. Atuando por 10 anos no jornalismo de moda tradicional, 2002-2012, mesmo já perseguindo um estilo próprio, vira e mexe eu adentrava nas grandes magazines buscando pechinchas e tendências fast fashion. Algumas revistas que comprava na época, sites e até meu trabalho me levava a isso. Um tanto de massificação, roupas iguais criadas em série, muito baratas sugerindo grande vantagem, mas sem importar a procedência. Fui me informando sobre o tema - o livro "Eco Chic: o guia da moda ética para a consumidora consciente", da Matilda Lee, deu esse start que precisava para ir criando essa conscientização e buscando dia a dia um novo estilo de vida, desde as roupas que visto até os trabalhos que escolhi ter (Nina Garimpa, Mercado Vintage e Mercado Alternativo).



Já são alguns anos nessa contramão nada fácil. As imagens e desejos estão sempre pulando na nossa frente. Escolhi dar as costas para algumas lojas e simplesmente não ir a shoppings. O de Pelotas, construído longe do Centro para quem mora nas proximidades ou tem carro, ainda nem conhecemos. Não frequentar também me é forma de protesto sobre o quanto as coisas são mostradas glamourizadas perto de como elas realmente são. E disso eu sei um bocado, pois  frequentei das principais semanas de moda brasileiras ao chão de várias fábricas.

Claro que como jornalista, crítica e amante da moda não fecho os olhos pro lado lúdico e bonito da moda, sigo admirando algumas grifes (Chanel, Balenciaga, Stella Mccartney...) as quais dificilmente um dia terei acesso (dicotomias, pois é!), e assistindo os desfiles inspiradores de criadores como Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch e Gloria Coelho ou de marcas como Osklen, Alessa, Ellus, Huis Clos, entre outras. Vários desses inclusive que fazem sua parte para a revolução na moda, usando matérias-primas e mão-de-obra brasileira, por exemplo!

Acredito que a gente consegue tudo que quer e acredita: podemos nos vestir bem, cada um dentro do seu estilo, proporcionar renda a pequenos empreendedores e até gastarmos menos nesse outro formato! Se queremos uma política ética, ela também deve estar na moda que vestimos. Deixo essa reflexão, inspiração e mensagem: Outra moda é possível!

Na foto, eu uso:

-Vestido 90s garimpado em Pelotas por 10,00;
-Botinas artesanais garimpadas em São Leopoldo por 25,00;
-Colete 70s garimpado em Porto Alegre por 5,00;
-Chapéu coco feito pelo chapeleiro francês Maurice Plas, com atelier na Rua Augusta, em São Paulo. Valor a consultar.

Fotos: Gio Corrêa <3

terça-feira, 19 de abril de 2016

84 gatos da Gonça + dj micha + NG

Criar projetos e eventos sempre demanda tempo e bastante trabalho. Mas a gente gosta tanto e está tão aberto a somar e conhecer pessoas, que acabamos desenvolvendo o 1 evento aqui na loja com a 84 gatos da Gonça :) ^-^

Foi um sábado de duplo brechó, o deles beneficente no pátio lateral e o Nina Garimpa na loja. O grupo de amigos resgata, castra e coloca para adoção gatos de uma casa abandonada nessa mesma rua, a Gonçalves Chaves, além de animais que vão aparecendo em seus caminhos necessitando ajuda.

Teve fila na abertura, aquela correriazinha pelas ótimas peças, amigos e apoiadores durante o dia, novos clientes conhecendo o Nina e se identificando com a proposta... só temos a agradecer!

Finalizamos com o som do querido e ótimo dj micha, que saiu todo feliz desfilando com uma linda camisa african vintage 70s daqui!

Obrigada a todxs que doaram, trabalharam e/ou compareceram, nos ajudando nessa causa que é pública <3 Em breve, tem mais!










 


fotos: Gio Corrêa

segunda-feira, 28 de março de 2016

Loja NG: kitsch nos detalhes

Alguns amigos de longe cobram fotinhos internas da loja, mas como estamos sempre em movimento, inclusive modificando coisas, fomos deixando pra depois e depois, mas já passaram 7 (sete!!!) meses desde a inauguração, bastante coisa já mudou internamente, mas chegou a hora de mostrar ao menos um pouco do que temos fotografado :)

A placa da rua, com madeira reaproveitada e pintada de laranja, foi um trabalho à parte, com recorte do logo numa chapa de raio-x e posterior stencil com apoio de tinta preta e rolinho. Afixamos na frente com um L com arabescos, que já tinha sido da Loja À Moda Antiga, que tive com a Aline Romero, em São Leopoldo. A casa é antiguinha, fachada pequena e ainda não recebeu nova pintura (em breve, novidades <3), mas apesar disso, dentro todos se surpreendem com o tamanho. Temos duas amplas salas do brechó, uma com o setor 10 cada e outra de vintage, retrô e marcas.

 

Quando pensei em abrir, a primeira ideia foi aproveitar grande parte da decoração que já mantinha em casa, causando certa "poluição visual" :) Isso porque gosto muito de cores, objetos antigos, quadrinhos/fotografias, tudo formando uma estética bastante kitsch (brega). Essa foi a base do que construímos a 4 mãos em praticamente 1 mês de trabalho até a abertura, que foi em outubro de 2015.

 
Quadrinho com desenho do tio Gil Jacobus + espelhinho acervo + chapéus acervo.
 O "Conhece-te a ti mesmo", de Sócrates, tem tudo a ver TAMBÉM com estilo!

Temos araras usadas e repintadas; várias malas vintage no corredor de entrada, escrivaninha vintage pintada de vermelho e transformada em balcão de atendimento. Ah, tem também um piano de 1903!, que compramos da amiga peregrina e superbatalhadora Antônia Risolet, e que ajuda no apoio de calçados e decoração que vai sempre mudando:



A poltrona pé palito original 60's foi presente da mãe e combinou com algumas paredes também azuis. O som 2 em 1 era de família e já tocou vários vinis durante o expediente. Agora na verdade recebeu férias, porque sendo com caixa original de madeira, estava com cupim, que está sendo tratado.

 



O lustre setentão, produzido com linhas em tons terrosos, que na verdade era um abajur, foi garimpado já aqui em Pelotas, no sebo-loja mara Jacob Grinberg Livros raros e Antiguidades, ali da Anchieta, na última hora!

 

Pouco antes do ano novo de 2016, a amiga e cenógrafa Lara Coletti fez uma visita e resolveu deixar sua marca. Fez um desenho no provador, que fala de natureza e seus 4 elementos: fogo, terra, água e ar. Amamos! O Gio (Corrêa) também andou soltando a imaginação e recriando um Mondrian num dos bustos antiguinhos que ganhamos de presente do Brechó da Tia Mariza <3


 


A seguir, mais alguns detalhes :)

 Brinquedos garimpados e a Frida da CCA Artesanatos, que sou fã.
Cabides antigos e diferentes decoram a basculante.

 Alguns desenhos infantis da Nina Paz Garcez Corrêa decora o setor de vintage <3

 Plaquinha artesanal "Garimpar é arte" junto a peças masculinas e o expositor de óculos com telinha reaproveitada


Tudo simples, mas feito com muito carinho.

Venha nos visitar e conferir isso e ainda mais de pertinho!

Rua Gonçalves Chaves, 322.
Centro.
Quase esquina Universidade Católica.
Pelotas - RS - Brasil.