Esse texto tinha prazo. Na minha cabeça e agenda ele tinha prazo. A exibição de "The True cost" (2015) já aconteceu faz algumas semanas, numa iniciativa da loja Insecta Shoes em Porto Alegre e a consultoria de estilo Closet Detox. Mas passa tudo muito rápido. Os vários compromissos que a gente que trabalha de forma independente se envolve acabam atrasando outras atividades. Mas mesmo com parte me cobrando, outra parte dizia, calma, se queremos uma moda menos rápida e mais qualidade de vida, podemos também tentar agir com menos pressa, com mais profundidade. Tempo como dinheiro literalmente! Quanto mais tempo se tem pra viver sem correria, mais rico se é, já diria Pepe Mujica :)

O documentário de "moda" trata sobre o verdadeiro custo de nossas roupas, como é a vida de quem trabalha nelas e justamente sobre o fato de estarmos tratando a nossa terra, a nossa agricultura algodoeira nesse caso, como uma fábrica, que tem que produzir rápido, com poucas falhas e o maior lucro possível, tendo sido citada a multinacional dos transgênicos Monsanto. Com a globalização, a rapidez que as coisas pulam na tela e a vontade de consumo que nos induz, estamos cada dia mais ansiosos por novidades. Se antes existia apenas coleções de verão e inverno a cada 6 meses, agora tem novidade toda semana nas redes de fast fashion. E se existe essa alta produção é porque existe um alto consumo também.

Outra informação interessante do filme é o fato de que apenas 10% da produção de roupas do mundo vai para os brechós; toneladas e mais toneladas de material viram lixo têxtil não biodegradável, que vai demorar mais de 200 anos pra se decompor. Tão chocante quanto isso é então saber que tudo que existe de roupa no mundo hoje já seria suficiente pra nosso uso por muitos anos, logo a produção nova, ainda mais nesse ritmo enlouquecedor, é completamente desnecessária. Mas como lidar com isso, como posso fazer minha parte?

Formas de consumir melhor existem e dependem de uma vontade interna de mudança que tem que brotar em cada um. Entre as propostas sugeridas, existe a de não comprar mais de grandes redes de fast fashion, as quais desconhecemos a origem das peças e também muitas vezes cobram alto, mas não pagam da mesma forma seus fornecedores; além de comprar mais de brechós e de pequenas marcas naquele esquema #comprodequemfaz Ah, outra forma é não consumir quando não se precisa e consumir menos, claro! Tudo uma questão de prática, como tudo na vida.
"The True Cost" pode ser assistido no Netflix ou pelos seguintes links: http://truecostmovie.com/watch-now
Apresentaram seus cases e abriram questões instigantes com a galera presente Adriana Tubino, da Vuelo; Alice Meditsch, da Colibrii; e Pam Magpali, da Insecta Shoes, todas marcas baseadas em ideias sustentáveis.